“Caro senhor, nos encontramos esta tarde na Avenida Bedford. Eu era a pequena garota morena de roupa branca, pedalando uma bicicleta vermelha debaixo da chuva. Você era o senhor que dirigia o SUV azul que chegou buzinando, encostou na minha roda traseira e tentou me jogar para fora da ciclofaixa, antes de me fechar e me empurrar para a calçada”.
Este é o início de uma postagem no fórum do site bicicletada.org.
A bicicletada é uma organização disponível a qualquer pessoa voluntária que se identifique com o tema e não está ligada a qualquer órgão governamental, comercial, partidário ou religioso. Para fazer parte da Bicicletada é preciso apenas ir até o local no dia combinado. Toda agenda, de todos os estados e DF, está no site oficial www.bicicletada.org
Com base na Massa Crítica, ou Critical Mass, uma “consciência organizada” que teve início na década de 1990, nos Estados Unidos, criou-se um movimento no Brasil e em Portugal, para que ciclistas pudessem reivindicar seu espaço nas ruas.
Presente em vinte estados brasileiros, além do Distrito Federal, a Bicicletada não tem um líder específico. Procura, além de estimular os participantes a pedalarem, anunciar a bicicleta como um meio de locomoção, valorizar sua cultura, incentivar sistemas de transporte mais ecológicos e sustentáveis, chamar atenção para a importância de investimentos em condições necessárias para o uso deste veículo e conscientizar usuários de transporte motorizados da importância da bicicleta para amenizar os congestionamentos.
Leonardo Cuevas, chileno que mora em São Paulo há 14 anos, começou a participar em Fevereiro de 2008, 3 meses depois de começar a pedalar. Leonardo disse que se interessou pela Bicicletada através da leitura dos sites CicloBR e Apocalipse Motorizado. Ele diz: “Nunca tive carro, nem a minha família. Achei que precisava fazer alguma coisa para mostrar que é possível viver bem com alternativas. Não é mistério para ninguém o efeito ruim do carro, por exemplo. Vou participar da próxima aqui em São Paulo”.
Fábio Sousa, 21 anos e estudante de jornalismo, faz uso da bicicleta há sete anos e anda por toda a cidade. Ele conta que já andou pela Marginal Pinheiros para chegar ao shopping Villa Lobos – Fábio reside na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. “Era mais jovem e estava sem dinheiro para ir de ônibus, então peguei minha bicicleta e fui. No meio do caminho percebi o quão perigoso era, os carros andam em uma velocidade muito alta e não respeitam o ciclista, que não tem espaço nem vez. Temos que fazer com que os outros nos vejam e nos respeitem”.
O estudante também possui um carro, mas evita usá-lo quando tem a possibilidade de andar com outro transporte. “Prefiro a bicicleta pois, além de ser mais barato, não tendo que se preocupar com estacionamento, combustível ou o valor da passagem – no caso do transporte coletivo -, penso no meio ambiente. Os carros entopem as ruas, já fiquei horas parado no trânsito para voltar para casa no horário de pico, e claro que a maioria deles leva uma pessoa ou duas, no máximo. Quando se tem disposição, só andar de carro não faz muito sentido. A bicileta não polui, faz bem à saúde e ajuda na consicentização de outros motoristas, e talvez até do próprio governo, para esta alternativa”.
Quanto a Biciletada, Fábio conhece e já passou diversas vezes pela Av. Paulista enquanto acontecia a reivindicação. “É uma iniciativa fantástica, todos são muito bem organizados, dá gosto de participar. ”.
O último encontro na capital paulista foi no dia 30 de outubro, na Praça do Ciclista, canteiro central da Avenida Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra, a partir das 18h e com a saída prevista para às 20h, ainda que com chuva. Normalmente, decide-se na hora o trajeto que agrade a maioria daqueles que estiverem presentes.
Com os lemas “Nós somos o trânsito” e “um carro a menos”, se você não pode participar da Bicicletada pedalando, seu apoio também é bem vindo, seja divulgando a causa, seja respeitando o ciclista.